O que é o cross docking e como aplicar no e-commerce? - Tray Corp

Como montar uma estratégia de cross docking para seu e-commerce

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O e-commerce é um dos setores que mais crescem no país, mesmo em tempos de crise. Segundo dados da Nielsen, o comércio eletrônico faturou R$ 53,2 bilhões em 2018.

Com um cenário favorável, mas igualmente competitivo, aumenta-se a necessidade de potencializar os ganhos e garantir a satisfação dos clientes. Nesse sentido, o cross docking tem conquistado cada vez mais espaço. Confira, a seguir, o que é cross docking e como funciona essa tendência, as principais vantagens dentro de um e-commerce e o passo a passo para implementá-lo.

 


O que é cross docking?

Cross docking é um processo de logística que busca otimizar as etapas entre o fornecedor e o consumidor final ao fazer a encomenda das mercadorias apenas depois da finalização dos pedidos na loja virtual, reduzindo as chances de estoque parado.

Em uma tradução literal do inglês, cross docking significa “cruzamento de docas”. Originalmente, o termo designava o sistema em que as mercadorias transportadas por navios eram descarregadas em esteiras que levavam os produtos diretamente para caminhões de distribuição.

Nessa estratégia, elimina-se a necessidade de grandes investimentos em armazenamento de mercadorias, uma vez que elas são encomendadas ao produtor apenas depois do pedido de compra pelo cliente ser finalizado. Elas são, então, entregues em um centro de distribuição (CD), onde serão separadas, conferidas e enviadas ao seu destino final.

Essa tendência está diretamente ligada ao conceito Just in Time (JiT), difundido inicialmente nas fábricas da Toyota na década de 1950. Ele tinha como principal meta a diminuição do tempo dos processos sem a perda da qualidade dos produtos. O princípio do cross docking, dessa forma, é o mesmo: agilizar a logística de entrega sem prejudicar a experiência do consumidor.

Quais são os tipos de cross docking?

O cross docking pode ser tipificado de diversas formas. Confira cada uma das categorias abaixo.

Quantidade de stages

Em poucas palavras, os stages correspondem à quantidade de toques na mercadoria durante o cross docking. Quando o caminhão chega a uma doca e o produto é imediatamente transferido para o caminhão responsável pela entrega no destino, o processo é conhecido por one-touch cross docking, ou toque único.

Caso a mercadoria seja transferida do caminhão do fornecedor para uma área de picking — ou separação — antes de ser despachado, o procedimento será o two-touch cross docking (dois toques). Existe ainda um terceiro subtipo, que consiste em múltiplos toques na mercadoria, ou multiple-touch cross docking. Em termos práticos, os produtos são também armazenados, mas por um tempo menor do que se estivesse em um estoque convencional.

Alocação de cargas

O foco da alocação está na maneira de distribuir as mercadorias para o transporte até o consumidor final. Existem dois subtipos de alocação: a pré-distribuição e a pós-distribuição. No primeiro, a encomenda já sai do fornecedor devidamente etiquetada com os dados do cliente. No segundo, a identificação do comprador é realizada no próprio terminal de cargas, antes de ir para o caminhão da transportadora.

Armazenamento

Quanto ao armazenamento, existem três classificações: movimentação contínua, híbrida e de distribuição. Confira cada uma delas a seguir.

Movimentação contínua

O objetivo desse modelo é a expedição de mercadorias no menor tempo possível a partir do recebimento dos itens do fornecedor. Esse é um dos tipos mais comuns de cross docking. Como foi visto, isso ocorre quando a mercadoria passa apenas por um único stage (one-touch cross docking).

Movimentação consolidada ou híbrida

Nessa modalidade, os produtos são recebidos dos fornecedores e, posteriormente, separados entre os que serão enviados diretamente aos clientes e aqueles que serão destinados ao estoque. É, portanto, um sistema híbrido que alia a agilidade desse advento à logística tradicional.

Movimento de distribuição

Nesse método, as mercadorias são recebidas e separadas para o envio em cargas lotação, que preenchem todo o espaço disponível no veículo. O movimento de distribuição é mais comum em negócios B2B devido ao grande volume de pedidos a serem enviados, possibilitando o atingimento da capacidade total de transporte sem atrasos.

Quais são as diferenças entre cross docking e dropshipping?

Seja qual for o esquema de cross docking escolhido, não se deve confundi-lo com o conceito de dropshipping, que é outra forma de organizar a logística de entrega. Enquanto no primeiro a operação é realizada pela própria loja virtual, no segundo, o e-commerce só controla o processo de vendas e o pagamento do produto, ficando a entrega a cargo do fornecedor.

Embora apresente vantagens, o dropshipping depende de um bom fluxo de comunicação entre lojista e fornecedor para que aconteça a atualização em tempo real da disponibilidade de produtos em estoque, bem como o acompanhamento do prazo de entrega e de problemas que possam ocorrer durante o processo.

Além disso, nos casos em que o e-commerce terceiriza essa responsabilidade para o fornecedor, não há como garantir a qualidade da entrega dos produtos, uma vez que a equipe do comércio eletrônico não tem acesso à mercadoria antes da entrega. A possibilidade de conferência nas etapas intermediárias é um dos benefícios do cross docking em relação ao dropshipping.

O dropshipping é um processo muito comum em marketplaces, quando há a indicação de que o item escolhido é entregue por uma empresa específica. Após o pagamento do valor cobrado, o comércio intermediador repassa as informações do consumidor diretamente ao provedor daquela mercadoria, que fica responsável pela logística de entrega a partir desse momento. Nesse caso, é a loja virtual que assume o papel de fornecedor das mercadorias.

Quais são as principais vantagens do cross docking para a logística do seu e-commerce?

Diversos fatores relacionados à redução de custos na cadeia de suprimentos (supply chain) têm conferido popularidade ao cross docking. Com a eliminação do processo de estocagem, é possível alcançar diversos benefícios que podem representar uma vantagem competitiva. Veja os principais deles a seguir.

Diminuição dos gastos com armazenamento

Parte considerável dos gastos de um e-commerce está relacionada ao armazenamento de mercadorias. É preciso ter um espaço grande o suficiente de estocagem para atender à demanda da loja e ao tamanho do mix de produtos. Não há como prever com exatidão aquilo que o cliente vai pedir, o que gera a necessidade de ter um estoque mínimo de qualquer produto.

Com a eliminação dessa etapa, ocorre uma drástica redução das despesas relacionadas a ela. Isso acontece porque, com o cross docking, somente há necessidade da existência de um centro de distribuição, onde os produtos serão recebidos, conferidos, separados e enviados aos seus destinatários finais. Esse espaço pode ser muito menor do que um armazém convencional, gerando uma economia considerável para a empresa.

Isso impacta diretamente no custo da logística empresarial. Além disso, em vez de ser vista de um jeito tradicional e secundário, a logística passa a ser integrada a outros setores do negócio online, já que o cross docking elimina a necessidade de grandes estoques.

Mais rotatividade de estoque

Segundo um levantamento realizado pela Abrape, estima-se que R$ 21,55 bilhões sejam perdidos pelo varejo com itens que deixam de ser vendidos. Desse número, cerca de 40% correspondem a prejuízos relacionados a erros na estimativa com vendas e estoque. Esses dados evidenciam os riscos gerados pela estagnação de mercadorias.

Esse deixa de ser um problema com o cross docking, uma vez que o pedido ao fornecedor só é feito após a compra daquele produto pelo cliente. Parte do capital da empresa não fica parada em armazéns esperando um comprador. Assim, a rotatividade do estoque aumenta e as chances de prejuízo relacionadas a isso diminuem.

Melhor aproveitamento do capital de giro

No comércio tradicional, é exigido um alto investimento na compra de mercadorias que vão ser disponibilizadas para a venda. Essa dinâmica impacta as saídas, e quando o montante delas é maior que o número de recebimentos, a empresa fica com desequilíbrio no fluxo de caixa.

Com isso, chega a necessidade de captar recursos externos, de modo a manter o capital de giro. Essa medida tem um custo financeiro alto para o negócio, interfere no endividamento e pode absorver parte dos lucros da loja virtual. Com a encomenda somente daquilo que já foi adquirido pelo cliente, reduz-se a quantia necessária de capital de giro para a manutenção do negócio.

O cross docking é também interessante para a saúde financeira da organização. Troca-se a incerteza da venda ou não de produtos pela confirmação de que aquele dinheiro investido vai retornar para a empresa. A queda do desperdício e dos custos operacionais também colabora para o bom aproveitamento do capital que a organização tem em mãos.

Equipe menor

Com um processo mais enxuto de carga e descarga de mercadorias, não é necessária uma grande equipe para a realização das atividades no centro de distribuição. Dessa forma, é reduzido o gasto com operadores de empilhadeira, estoquistas e outros funcionários comuns ao processo de logística tradicional.

Menos risco de danos aos produtos

A presença de defeitos na mercadoria pode gerar uma série de prejuízos, além de atrapalhar a experiência do consumidor. Aliada a situações de devolução de produto, a insatisfação do cliente gera gastos desnecessários para a empresa, e em casos mais graves, até mesmo processos judiciais.

Por isso, garantir a qualidade do item entregue é primordial no intuito de manter o bom funcionamento de uma loja virtual. Essa é justamente uma das vantagens da operação logística que utiliza os centros de distribuição. Durante essa etapa, é realizada uma vistoria do produto entregue pelo fornecedor, avaliando sua integridade e a coerência com aquilo que foi pedido pelo cliente.

Assim, as chances de envio de mercadorias com defeitos ou diferentes do que foi encomendado são reduzidas. Além disso, como o produto não é armazenado em estoque, também é menor o risco de estragos durante o processo de manuseio do item.

Esse benefício impacta diretamente nos custos relacionados à logística reversa. Também é importante frisar que, a partir do momento em que os estoques deixam de existir ou são reduzidos, a chance de um armazém sofrer tentativas de furto diminui bastante.

Aumento da variedade e da disponibilidade de produtos

Com o cross docking, aumentam as possibilidades de escolha do comprador. Ele não tem mais acesso somente à quantidade e à diversidade de produtos limitadas ao estoque da empresa, mas a uma infinidade de opções oferecidas por diferentes fornecedores.

Assim, crescem as possibilidades de compra pelo consumidor, com uma probabilidade maior de que ele encontre aquilo que deseja. Ainda, como a disponibilidade de mercadorias do fornecedor costuma ser muito maior do que a de uma loja normal, são menores as chances de ocorrer a falta de produtos — especialmente em datas especiais.

Quais são as barreiras de implementação do cross docking?

Antes da adoção de qualquer nova tendência, é importante avaliar sua aplicabilidade para o seu e-commerce e verificar se os desafios associados a ela são menores do que os resultados que se espera obter.

Apesar das diversas vantagens do cross docking, existem barreiras significativas de implementação. Esses obstáculos devem ser levados em consideração antes de adotar essa metodologia para evitar problemas no futuro. As mais relevantes você vê abaixo.

Aumento do prazo final de entrega

Ao adotar esse modelo de operação, é preciso estar ciente que provavelmente vai haver um aumento do prazo final de entrega dos produtos ao cliente. Sua política de prazos precisa seguir o ritmo do fornecedor, e é preciso se adequar a essa mudança.

Como a mercadoria não está disponível no estoque do lojista, ele vai depender da agilidade do fornecedor na hora de calcular o tempo que vai levar para que o consumidor receba o item adquirido. Além disso, deve-se associar a esse cálculo a duração das etapas que vão ser realizadas no centro de distribuição.

Esse é um dos principais motivos que tornam importante a escolha de bons fornecedores e a construção de um fluxo contínuo de comunicação com eles. Só assim é possível repassar as informações necessárias ao cliente de maneira ágil e descomplicada. Um bom relacionamento também evita o surgimento de problemas (como os atrasos) e ajuda na solução de eventuais adversidades.

Custo maior de transporte

Com a implementação do cross docking, é provável que ocorra um aumento nas despesas de transporte para o seu e-commerce. Como as encomendas só são feitas após a realização das compras pelos clientes, é comum o aumento da frequência do traslado de produtos entre os fornecedores e o centro de distribuição, bem como até o consumidor final.

Com o planejamento adequado, é possível reduzir o impacto desse acréscimo e compensá-lo com a economia relacionada ao armazenamento.

Diminuição no poder de negociação de mercadorias

As compras para a constituição de estoque costumam ser de grande volume e ter um ticket elevado. Essas condições concedem mais poder de negociação entre o lojista e a empresa fornecedora dos produtos, o que é mais difícil de ocorrer com uma demanda pequena de pedidos.

Como uma solução para isso, é essencial haver um acordo com o fornecedor, explicando os termos da parceria e a ideia por trás da operação de logística adotada. A garantia da realização frequente e constante de encomendas com uma mesma empresa pode aumentar as chances de desconto e o oferecimento de condições especiais.

Demanda irregular e picos de venda

É normal que haja um aumento das vendas em datas comemorativas e períodos específicos do calendário do e-commerce, como a Black Friday. Nessas situações, é preciso se preparar para atender à nova demanda com a rapidez esperada pelo cliente.

Esse também é um problema para negócios em que a procura por mercadorias é irregular. Seja como for, não há nada mais frustrante para o consumidor do que se interessar por um item e descobrir que ele está indisponível. Além da insatisfação gerada por esse acontecimento, ele pode escolher a loja virtual do seu concorrente.

Para lidar com esses cenários, pode ser interessante adotar um sistema híbrido, com estoque de produtos de baixo custo e que saem com mais frequência. Já as mercadorias mais caras e com baixo giro podem ser vendidas por meio do sistema de cross docking. Assim fica mais fácil aproveitar as vantagens dessa metodologia sem correr o risco de não conseguir atender à demanda dos compradores.

Quando vale a pena investir no cross docking?

Agora que você sabe o que é cross docking, fica fácil entender que esse processo é recomendado para negócios virtuais de grande porte. Isso não quer dizer, no entanto, que um e-commerce de pequeno porte não possa adotar a solução. Caso os custos de adquirir o produto com o fornecedor mais o valor do frete forem menores do que todos os gastos relacionados à armazenagem, é preferível usar o cross docking.

Nesse sentido, é imprescindível que o lojista conheça a fundo os custos com aluguel, luz, água e manutenção, que devem ser levados em conta no processo de armazenagem. Para quem está começando, colocar todos os gastos na ponta do lápis evita o descontrole, de modo que eles fiquem proibitivos.

Quais são as desvantagens do cross docking?

De início, é importante mencionar a questão do tempo. Para que o fornecedor não atrase na entrega do produto na conferência, é importante conhecer bem a empresa para evitar transtornos. Como o Brasil é um país muito grande, dependendo da localização da sua loja, do cliente e do fornecedor, o cross docking pode ser bastante desvantajoso.

Outra questão diz respeito à gestão. Quando o cross docking começa a operar em maior escala, é preciso se atentar para que não sejam cometidos equívocos na hora de entregar as mercadorias aos clientes. Além disso, é preciso ter um centro de distribuição (CD) à medida que a loja online começar a expandir suas operações.

Como montar uma estratégia de cross docking?

Implementar o cross docking na prática exige uma mudança sistêmica na maneira como os processos são realizados no e-commerce. É essencial haver uma conexão direta entre áreas diversas nas etapas de sua execução. Somente com um fluxo contínuo e transparente de informações é possível ter sucesso com essa estratégia e alcançar os resultados esperados.

Para isso, alguns fatores são essenciais. Veja!

Invista em um sistema ERP

Do inglês Enterprise Resource Planning, o ERP é um sistema de gestão que busca integrar em um único lugar todos os dados e processos de uma empresa. Essa centralização garante alto nível de controle sobre o que acontece na organização e uma melhor integração das atividades realizadas.

A ferramenta fornece, entre outras coisas, relatórios precisos que auxiliam os gestores na tomada de decisões e a possibilidade de modularização. Em termos práticos, existem soluções de ERP que são voltadas para o relacionamento com o cliente (CRM) e para o controle de estoque, por exemplo.

Investir nesse tipo de modelo é de suma importância durante as diferentes fases, que vão desde a primeira visita do cliente à plataforma de e-commerce até as etapas de relacionamento e fidelização. Para isso, normalmente é utilizado um software que reúne essas funções.

Escolha bem os fornecedores

Os fornecedores são peças-chave em qualquer supply chain, mas quando é eliminada a necessidade de estoque, eles passam a ser ainda mais importantes. Isso acontece porque os prazos repassados ao cliente, a disponibilidade de determinado produto e a garantia de envio e entrega do item passam a ser responsabilidade dessa parte, com menos possibilidades de interferência do lojista.

Ter confiança nas empresas escolhidas para fornecer esses produtos é essencial. Um equívoco nessa etapa pode comprometer toda a operação logística do e-commerce e mesmo o funcionamento do negócio. Em função disso, a escolha deve ser feita com cautela, e os termos dessa relação precisam ser alinhados desde o início.

Crie um centro de distribuição

Outro componente fundamental dentro da estratégia é a criação de um centro de distribuição. Esse será o espaço intermediário entre os fornecedores e o consumidor final — tornando a escolha de uma boa localização essencial para facilitar as remessas.

Nessa etapa, é preciso avaliar onde estão os provedores fundamentais dos produtos do seu e-commerce, bem como o local em que a maior parte dos seus consumidores está concentrada. Uma excelente opção é contar com fornecedores regionais próximos ao endereço de entrega da mercadoria. Assim, além da redução dos gastos com transporte, reduz-se o prazo de envio ao cliente.

Uma ação que pode ajudar nesse processo é a escolha de uma plataforma de e-commerce que ofereça a opção de Multi CD. Nessa função, é possível cadastrar diversos centros de distribuição, possibilitando um controle maior controle das operações realizadas em diferentes localidades.

Capacite a sua equipe interna

Como já foi dito, o cross docking exige uma adaptação sistêmica de toda a operação do comércio eletrônico, e isso inclui a capacitação da equipe interna para lidar com esse processo. Eles precisam conhecer a metodologia e estar familiarizados com todas as etapas da cadeia — da compra à entrega. É preciso que os conceitos de agilidade e fluxo contínuo de informações estejam bem internalizados.

Uma maneira de alcançar isso é aliar capacitação à criação de fluxos de trabalho desenvolvidos para as diferentes fases da logística. Assim, ocorre uma padronização do que deve ser feito e dos resultados esperados em cada etapa, reduzindo as chances de ocorrerem erros.

Faça um período de adaptação

Como a implementação desse novo modo de transporte e entrega de mercadorias demanda uma profunda mudança nos processos da empresa, há um investimento de tempo, capital e recursos humanos na consolidação dessa transformação.

Por isso, caso a loja virtual já tenha uma operação logística estruturada que siga outra metodologia, o ideal é que haja um período de adaptação. Ele vai servir para que essa alteração ocorra de maneira gradual, dando tempo para que a equipe interna e até mesmo os clientes habituais se acostumem com a nova dinâmica.

Além disso, esse é o momento ideal para avaliar os resultados dessa estratégia, adaptando-a à realidade da empresa. Assim, evita-se a tomada de decisões precipitada, que possa gerar prejuízos para o seu empreendimento. Para avaliar o que vem dando certo e o que precisa ser melhorado, é essencial que haja o monitoramento constante de resultados.

Como o que funciona em uma organização pode não dar certo para outra, mais importante do que seguir tendências gerais é entender as particularidades do seu negócio online e o que vai dar certo (ou não) com sua aplicação.

Uma excelente ação é o oferecimento de diferentes opções de frete ao consumidor, incluindo as tradicionais e aquelas associadas ao cross docking. Uma vez que o consumidor escolhe o frete econômico, por exemplo, ele se beneficia da redução do valor final do serviço, ao mesmo tempo que aceita um aumento no prazo de entrega.

Invista em um SAC de qualidade

Como com qualquer advento, é preciso se preparar para o caso das coisas darem errado. Nessas situações, uma boa gestão de crises é fundamental. Assim, é essencial se preparar para a ocorrência de problemas com o fornecedor, como atrasos na entrega, a não comunicação de indisponibilidade de estoque, mercadorias com defeito, etc., e saber como comunicá-los ao consumidor final.

Dessa forma, investir em um Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) de boa qualidade pode ser a diferença entre a fidelização de um cliente e a transformação de um consumidor em um detrator da marca. Além de profissionais capacitados, é fundamental investir em um sistema que dê amparo para a área, como o CRM, software responsável pela gestão de informações e pelo relacionamento com o público.

Essa integração é algo bastante útil, uma vez que facilita o diagnóstico de futuros problemas, aprimora o entendimento com o público, fornece dados para a sua estratégia e ainda facilita o processo de transição para um atendimento omnichannel.

Qual é o papel da transportadora no cross docking?

A escolha de um fornecedor com sólida experiência de mercado faz toda a diferença no sucesso do cross docking. Na prática, é preciso que a transportadora entregue as encomendas aos clientes em tempo hábil, de modo que os produtos cheguem ao destino sem avarias.

Para que a comunicação entre o seu e-commerce e a transportadora seja a mais eficiente possível, contar com a tecnologia é fundamental. O monitoramento de processos acontece com mais eficiência, o que é benéfico para as operações logísticas da sua loja virtual como um todo.

Quais são as soluções para dar suporte ao modelo?

O sistema de cross docking gera uma verdadeira revolução logística na empresa. Para dar suporte a toda essa mudança e garantir a qualidade e a eficiência da operação, algumas ferramentas se tornam indispensáveis.

É preciso criar um modelo de comunicação que converse bem com a loja virtual, os fornecedores e os centros de distribuição, de modo a evitar erros que prejudiquem a experiência do cliente.

Algumas delas já foram citadas ao longo do artigo, mas precisam ser mais bem detalhadas. Existem outras que você provavelmente ainda precisa conhecer e entender como farão a diferença para o sucesso de implementação do modelo. Confira na sequência.

ERP

Como mencionamos, o ERP é o ponto de partida na organização de uma empresa, até mesmo aquelas que não trabalham diretamente com o varejo. Ele é o software que organiza a gestão empresarial. Oferece informações de diversos setores da empresa, como vendas, compras, financeiro e gestão de contratos, de maneira interligada.

Para que o cross docking funcione perfeitamente, a empresa precisa construir processos que sincronizem bem o fluxo de mercadorias com informações internas e de fornecedores. Os colaboradores de todos os setores e responsáveis logísticos devem ter acesso às atualizações em tempo real, e o ERP é o que permite isso.

Além disso, essa solução veio para substituir muitas das atividades realizadas por humanos. Em outras palavras, os erros e os trabalhos duplicados reduzem bastante. Essa automatização de tarefas faz com que os colaboradores passem a ficar mais tempo envolvidos em atividades estratégicas, delegando ao software os procedimentos repetitivos e burocráticos.

WMS

Os softwares WMS (Warehouse Machine System) são especializados na gestão de depósitos e fundamentais para empresas que trabalham com um ou mais centros de distribuição. Por isso, são uma das ferramentas importantes em uma operação de cross docking.

Muitos gestores se perguntam por que adquirir mais um sistema, uma vez que a maioria dos ERPs já contém um módulo de gestão de estoque. A diferença está no fato de que o WMS executa a gestão das mercadorias com mais riqueza de detalhes e otimiza todo o processo logístico, reduzindo custos e falhas manuais.

O WMS fragmenta a posição das mercadorias por endereço, organiza-as conforme categoria e similaridade, roteiriza as saídas e distribui as tarefas de maneira uniforme, de modo que os operadores do centro de distribuição terão apenas que executar as tarefas, sem se preocupar em tomar decisões. Com isso, o processo fica muito mais rápido.

Plataforma para e-commerce

A nova estratégia exige uma plataforma de e-commerce mais dinâmica, que permite a configuração com as outras ferramentas e a integração com os diferentes sistemas. Como o cross docking demanda a existência de um ou mais centros de distribuição, é importante que essa plataforma tenha o recurso Multi CD, que gerencia todos eles.

Como o prazo de entrega também é um dos pontos sensíveis do sistema, é importante que a plataforma tenha recursos de entrega e frete que facilitem as remessas. Além disso, é importante que ela permita a fácil integração com marketplaces, aumentando a probabilidade de tornar as vendas escaláveis. Também é importante oferecer um suporte de boa qualidade para cadastro e configurações em todas as etapas do processo de vendas.

Quais são as métricas para avaliar a eficiência do cross docking?

As métricas são importantes no cálculo da viabilidade da estratégia de cross docking durante a fase de adaptação, só que a utilização de KPIs não deve se encerrar nessa fase. É importante analisar constantemente a eficiência logística da operação com esses indicadores.

Coletas no prazo

Avalia a qualidade do serviço de transportes da empresa. Pode ser utilizado em qualquer modelo de remessas, e quanto maior é o índice, melhor é a capacidade da empresa de efetuar coletas dentro do modelo de cross docking.

Custo por pedido

Avalia os gastos relacionados a todo o processo de geração e despacho de cada pedido. Obviamente, quanto menor é o número, melhor é a eficiência da operação.

Custo de transporte por total de vendas

A métrica tem como objetivo entender a proporção de gastos de transporte com a receita da empresa. O ideal é que esse número seja cada vez menor, de modo a otimizar o desempenho econômico e os lucros.

Número de não conformidades

Avalia o número de erros e falhas em qualquer etapa da cadeia de suprimentos. Se o índice permanecer em declínio após a adoção do cross docking, sua estratégia estará no rumo certo.

Indicadores de pallets

Serve para avaliar a capacidade de armazenagem nos centros de distribuição, podendo ser segmentado entre pallets de cross docking e do modelo de operação tradicional. Quanto menor é a área ocupada por eles, mais rentável é cada um dos sistemas.

Taxa de atendimento por pedido

Esse indicador acaba englobando os anteriores, pois mede a eficiência geral dos processos. Com ele, avalia-se a eficiência dos prazos de entrega, os erros de separação ou de envio e o fracionamento de pedidos por falta dos itens em tempo hábil no centro de distribuição para organizar a remessa.

Vale lembrar que essas são apenas algumas métricas a se utilizar para medir a eficiência do seu novo sistema de distribuição. Você pode utilizar muitas outras, adaptar as citadas e até mesmo criar novos indicadores, conforme a realidade do seu modelo de negócio. Como existem muitas formas de medição, é importante ter a percepção de quais são, de fato, as mais relevantes para o seu negócio.

Agora que você sabe o que é cross docking, é possível tirar algumas conclusões. Essa operação logística fornece vários benefícios, mas é importante levar em conta a real necessidade de adotá-lo no seu negócio. Sem o devido planejamento, alguns imprevistos podem acontecer e atrasar a entrega de mercadorias aos os clientes. É importante lançar mão de testes para garantir a eficiência futura do cross docking.

*Artigo publicado originalmente em maio de 2018 e atualizado em outubro de 2020.

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